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Balada juvenil

Quando você tem seus 14, 15 anos e mora em Porto Alegre (esta cidade maaaaravilhosa onde não existe porra nenhuma para se fazer) , o evento mais esperado do ano é a festa a fantasia do Beco, um aglomerado de adolescentes entrando em coma alcoolico depois de tomar 3 latinhas de cerveja, tossindo igual um féladaputa depois de dar a primeira tragada no cigarrinho mentolado, e se sentindo suuuper descolados por isso. E só pra constar, estou realmente cuspindo pra cima pra ver se cai na testa. Adorava ir nessas festinhas pra ingerir todo o alcool que meu fígado e estômago aguentassem antes de botar tudo pra fora. Não é que eu quisesse realmente fazer isso, mas quando você tem 15 anos, é menina, esta numa festa e não sabe dançar, o seu objetivo é parecer o mais ocupada possível entre bombeirinhos, cuba-libre, tequila e cerveja. Não importa o que for, o importante é ficar a festa inteira com uma mão de playmobil segurando copos, e a outra mão com os dedos médio e indicador estendidos, segur...

Bom senso e bom gosto materno

Ainda criança pude perceber o bom gosto de minha mãe, quando encontrei uma foto do meu pai da época em que eles namoravam. Assim que olhei para aquele bigodinho e as canelinhas finas tive certeza de que o amor é cego. Ou pelo menos mamãe era cega. Eu voltava da escolinha e mostrava pra ela aquele monte de rabiscos que eu fazia com o lápis de cor, ela olhava e dizia : "Que linda a sua árvore filha!". Nunca tive coragem de contar que na verdade eu tinha desenhado um peixe. O importante é que ela achava minha "árvore" linda. Hoje posso comprovar o bom gosto ímpar de mamãe quando pego minhas fotos de criança. Graças a Deus eu era pequena e inocente demais pra me importar com o que as outras crianças pensavam de mim com aquele lacinho ridículo no topo da cabeça e o vestidinho amarelo-gema. É, o bom gosto materno é algo tão indiscutível quanto duvidoso. Pra não falar é claro no bom senso. Acho incrível a naturalidade de minha mãe ao escancarar minha vida amorosa na ...

O transporte público me odeia

Não adianta, eu não nasci para utilizar transporte público. Andem de metrô comigo e comprovem a minha total falta de desenvoltura. Se eu tiver um lugar pra sentar, beleza... mas se não tiver fodeu! Acontece que eu detesto segurar naquelas barras que ficam na parte de cima, e isso me da um certo desespero. O bom é que dá até pra fazer exercícios físicos me levantando na barra enquanto vou de uma estação à outra. Outra opção é segurar na cintura de algum passageiro, dar uma piscadinha sexy e fazer cara de biscate. Você deixa o pedreiro todo feliz e de quebra ainda consegue chegar ao seu destino sem ser arremessada para o fundo do vagão. Acho válido. Agora, eu andando de ônibus seria cômico, se não fosse triste. Com um fichario na mão e uma bolsa pendurada no ombro eu entro no ônibus. Pra dar dinheiro pro cobrador já complica minha vida, porque tenho que prender o fichário no meio das pernas pra usar a outra mão e pegar o dinheiro. A coisa complica mais quando eu tenho que fazer isso ...

Adolescentes e suas revistas

Ah 13 anos... que idade do cão! Eu me lembro de ir até a banca e ficar escolhendo as revistas:"Ah qual eu levo? Essa com a capa dos Backstreetboys ou será que eu levo essa do Felipe Dylon??". A dúvida era cruel. E todo mês era a mesma coisa, eu fazia minha mãe me comprar essas aberrações impressas. E não importa se a revista é de 1998 ou de 2008, o conteúdo é sempre o mesmo. Matérias como :"Tudo o que você sempre quis saber sobre os meninos/ Dicas para o primeiro beijo/ A 1ª vez dói?". Também tinham os testes, com aquela dose extra de criatividade: "Descubra se o gato está a fim de você/ Descubra se ele faz seu tipo/ Você é tímida?/ Você já está pronta para transar?". Absolutamente fantástico, e que atire a primeira pedra a menina que nunca comprou uma revista dessas e ficou lá fazendo os testes. Agora, uma das partes mais interessantes da revista era aquele espaço reservado para as leitoras mandarem suas dúvidas sobre sexo. Eu tenho uma aqui em mãos,...

Falta de léxico ao telefone

Devo confessar, sofro de um grave problema de falta de léxico ao telefone. Experimente me ligar para avisar alguma coisa, por exemplo. Acho que enlouqueço as pessoas porque fico repetindo tudo o que elas falam : "A certo.. então você não vem hoje.. hhmm.. ta... então você vem amanhã.. certo... hmm você trabalhou bastante hoje..........(silêncio constrangedor)" E eu ficarei na linha até que você perca a paciência comigo e diga, "então tá bom, era só isso! Tchau!". Eu sinto dificuldade em encerrar chamadas, dizer "ah, ok, então é isso! Beijos tchau!". Eu tenho um sério problema com telefones, é como se eu estivesse fazendo uma prova... assim que eu disco um número me da um branco e eu esqueço tudo o que queria falar. Acontece toda vez, eu disco o número e desligo antes de a pessoa atender porque eu preciso pensar melhor no que vou falar. Acho que meu trauma começou quando eu tinha uns 11 anos e resolvi ligar pro menininho mais lindo da sala pra pedir p...

Olha como não sou legal

Hoje acordei meio Hitler e com vontade de homogenizar o facebook! Mentira, não acordei assim, acordei totalmente Beatles pedindo peace and love enquanto minha mãe gritava na frente da pia cheia de louça que eu não lavei. Mas aí logo pela manhã acesso meu facebook e já vejo logo dois! Veja bem, não um, foram dois, dooois seres provenientes de um bueiro, me deixando recados mais ou menos assim: "Oie gata! tiop, axei vose muinto legau. keria faser uma amisade legau. me add ai gata! bjos". O facebook está cheio deles, e não é dificil identificar. No facebook das meninas você encontra coisas como: "Gostou?? Pega senha e entra na fila!". No dos meninos você vê algo do tipo "100% timão, é nóis truta!". E é claro, tudo escrito com uma boa dose de erros de grafia e falta de concordância verbal. Mas a parte que eu mais gosto mesmo são as fotos, você pode analisar os 3 tópicos: A beleza estonteante das pessoas (alguns dentes a menos na boca e o bigodinho de mot...

No Chuveiro

E que melhor hora pra pensar na vida e deixar vir a tona a criatividade do que o banho? É desde a mais tenra infância que começa o processo criativo do banho, enquanto você usa sua imaginação para brincar com seu patinho de borracha. Depois, lá pelos seus 11 ou 12 anos começa a fase do primeiro namoradinho, e você usa o seu tempo no banho para pensar em mil maneiras de se declarar. Não que esta fase em particular tenha acabado nos meus 12 anos, na verdade ensaio até hoje no chuveiro tudo o que pretendo falar, cada argumento previamente planejado enquanto passo o shampoo no cabelo. Poderia dizer que minha vida é um grande filme imaginário mal-sucedido. Ensaio cada detalhe no chuveiro e na hora do luz, camera ação o co-protagonista erra a fala! Como não posso gritar "corta" e pedir pra refazer a cena do meu jeito, sou obrigada a improvisar. Bom, é isto. Está feita a apresentação do meu "chuveiro público", onde poderei expor todas as maluquices que passam pela minha...