Ainda criança pude perceber o bom gosto de minha mãe, quando
encontrei uma foto do meu pai da época em que eles namoravam.
Assim que olhei para aquele bigodinho e as canelinhas finas tive certeza de que o amor é cego. Ou pelo menos mamãe era cega.
Eu voltava da escolinha e mostrava pra ela aquele monte de rabiscos que eu fazia com o lápis de cor, ela olhava e dizia : "Que linda a sua árvore filha!". Nunca tive coragem de contar que na verdade eu tinha desenhado um peixe. O importante é que ela achava minha "árvore" linda.
Hoje posso comprovar o bom gosto ímpar de mamãe quando pego minhas fotos de criança. Graças a Deus eu era pequena e inocente demais pra me importar com o que as outras crianças pensavam de mim com aquele lacinho ridículo no topo da cabeça e o vestidinho amarelo-gema.
É, o bom gosto materno é algo tão indiscutível quanto duvidoso. Pra não falar é claro no bom senso. Acho incrível a naturalidade de minha mãe ao escancarar minha vida amorosa na mesa do jantar enquanto coloca mais purê de batatas no meu prato. Ou então sua idéia brilhante de mostrar para as amigas aquele vídeo de família, onde segundo ela eu estou "uma gracinha" na apresentação de dança da pré escola. Fantástico mesmo é quando apresento algum "suposto namorado" com quem vou sair e ela lança frases do tipo "Cuide bem da minha filinha! / Não voltem de madrugada! / Juízo vocês dois hein! / Não fumem, não bebam, não usem drogas e não façam sexo". Só mesmo mamãe para ter a sutileza de um elefante plantando bananeira.
Assim que olhei para aquele bigodinho e as canelinhas finas tive certeza de que o amor é cego. Ou pelo menos mamãe era cega.
Eu voltava da escolinha e mostrava pra ela aquele monte de rabiscos que eu fazia com o lápis de cor, ela olhava e dizia : "Que linda a sua árvore filha!". Nunca tive coragem de contar que na verdade eu tinha desenhado um peixe. O importante é que ela achava minha "árvore" linda.
Hoje posso comprovar o bom gosto ímpar de mamãe quando pego minhas fotos de criança. Graças a Deus eu era pequena e inocente demais pra me importar com o que as outras crianças pensavam de mim com aquele lacinho ridículo no topo da cabeça e o vestidinho amarelo-gema.
É, o bom gosto materno é algo tão indiscutível quanto duvidoso. Pra não falar é claro no bom senso. Acho incrível a naturalidade de minha mãe ao escancarar minha vida amorosa na mesa do jantar enquanto coloca mais purê de batatas no meu prato. Ou então sua idéia brilhante de mostrar para as amigas aquele vídeo de família, onde segundo ela eu estou "uma gracinha" na apresentação de dança da pré escola. Fantástico mesmo é quando apresento algum "suposto namorado" com quem vou sair e ela lança frases do tipo "Cuide bem da minha filinha! / Não voltem de madrugada! / Juízo vocês dois hein! / Não fumem, não bebam, não usem drogas e não façam sexo". Só mesmo mamãe para ter a sutileza de um elefante plantando bananeira.
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